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Coluna | Resenhando
Raphael Vitoriano
raphael@raphaelvitoriano.com.br
Raphael Vitoriano nasceu em Varginha, tem 28 anos. É formado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pelo Centro Universitário do Sul de Minas e pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas. É sócio-diretor da Tupã Comunicação. Já foi colaborador do Jornal Sul de Minas, onde publicava diariamente poesias, crônicas e artigos. Escreve desde os 10 anos. É um amante de televisão. É viciado em livros, filmes, séries e novelas.
 
O Mecanismo e a ficção por trás de uma ideologia polícia
28/05/2019

Olá queridos amigos do Varginha Online. Hoje quero falar sobre a série O Mecanismo que recentemente ganhou uma segunda temporada na Netflix. Primeiro quero dizer que gostava da série. No quesito qualidade de som e imagem é impecável. As atuações podemos dizer que são medianas, mas com grandes cenas principalmente quando envolve o ator Emílio Orciollo Netto, que faz o papel do empreiteiro Ricardo Bretch e o ator Enrique Diaz, como o doleiro Roberto Ibrahim. Selton Melo, um grande ator, é um grande desperdício na série. Seu papel é chato, sem carisma. Sem dúvida um dos piores papéis de sua carreira.

Vamos ao enredo. A série em sua primeira temporada se mostrou uma obra que veio para colocar o dedo na ferida. Com um texto ácido e muito inteligente, ela fez as referências perfeitas, dando a entender exatamente quem era quem naquela história de corrupção e investigação policial. Costumo dizer que a maioria das séries costumam “perder a mão” na segunda temporada. Acredito que a crítica em cima do diretor Alexandre Padilha (Tropa de Elite e Narcos) foi grande após a primeira temporada. Políticos se sentiram-se atacados e até mesmo acusados. Pois bem, a ficção da primeira temporada, baseada em fatos reais, se transformou em uma clara obra ideológica na segunda. Infelizmente. A começar pelo tom dos diálogos, que ficaram mais melancólicos e chatos. Mas a grande demonstração politica e ideológica é quando se retrata a prisão do ex-presidente e o processo de impeachment. Descaradamente uma analogia errada e ideológica sobre os fatos, que não foram se quer pesquisados e levantados dados para a composição da história no mínimo mais próxima da verdade. Como forma de tentar redimir a erronia forma de apresentar os fatos, foi declarado que assim como fora na primeira temporada, a segunda também é completamente uma obra de ficção e não se deve ser levado como fatos reais.

Bom, a história da série é boa, chama a atenção, inevitavelmente fazemos as analogias aos personagens reais. Mas eu sou o maior defensor da liberdade de expressão e principalmente de que a ficção não deve ser encarada como verdade e sim como uma mensagem sobre algo além da história.

Sabe-se que possivelmente a série não terá terceira temporada. Os principais atores já estão envolvidos em outras obras, direção já com outros projetos. A Netflix também não teve o retorno mundial que esperava, mesmo que no Brasil a primeira temporada tenha sido um grande sucesso.

Eu indico a série a quem queira ver. É rápida, instigante e até mesmo inteligente. Mas não acreditem em tudo que vem por lá, afinal a série assim como a realidade que a inspirou, também mente.
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